sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Depressão

Depressão




A depressão é objeto de pesquisa acadêmica desde os estudos teóricos de Sigmund Freud dentro do campo psiquiátrico, entretanto, nas últimas décadas – principalmente devido aos avanços tecnológicos e advento das mídias sociais – este assunto tem se tornado um dos mais estudados dentro, não apenas das universidades, mas sobretudo pelas diversas frentes psicológicas que atuam diretamente com o sofrimento humano. Esse trabalho tem como objetivo revisar os pontos importantes do aspecto depressivo e como a depressão pode afetar a vida das pessoas de forma grave, gerando doenças e até mesmo levando ao suicídio pois a depressão consiste numa doença referente ao transtorno de humor, é a doença dos afetos, dos sentimentos e das emoções. 

A depressão pode afetar as pessoas em qualquer fase da vida e, embora a incidência seja mais alta na idade média (dos trinta aos quarenta anos), vem crescendo também durante a adolescência e no início da vida adulta. Estes transtornos variam em intensidade, de branda até muito grave, ocorrendo muitas vezes de forma esporádica, mas podendo ser recorrente ou crônica, sendo mulheres as mais vulneráveis aos estados depressivos em virtude da oscilação hormonal a que estão expostas principalmente no período fértil (GRUBITS; GUIMARÃES, 2007).

Nos EUA, cerca de 70% das prescrições de antidepressivos são feitas para mulheres (MNGRATH et al., 1990). 

Os sintomas mais comuns da depressão são a alteração da concentração e atenção, dificuldade de tomar decisões, falta de memória, mal humor e irritabilidade. A pessoa se sente triste, pessimista com relação às outras pessoas e acontecimentos, se sente impotente diante das atividades do dia a dia e consequentemente começa a se culpar.

Como pudemos observar no paragrafo acima, a depressão acomete principalmente mulheres e uma das suas características é a baixa autoestima, que pode ser um potencial agravante da situação. Além disso, é comum as pessoas depressivas se sentirem incapazes e tenderem a se autodepreciar, o que leva a pessoa a se sentir desmotivada e apática, ocorrendo também uma busca por reclusão, onde a pessoa evita a interação com outros indivíduos, numa busca por evitar o contato social. Em um estado mais grave a pessoa pode começar a se sentir perseguida, ficando paranoica, pode ter alucinações e fobias. 

A meu ver, a incidência de casos de depressão em mulheres não se dá apenas pelas questões hormonais, se dá principalmente pelo peso da vida cotidiana atual e de tudo que a envolve, porque atualmente a mulher moderna tem muito mais funções, responsabilidades e cobranças, precisando trabalhar fora de seu lar, buscando ser bem-sucedida em seu trabalho, estar sempre estudando e se atualizando em sua área de atuação para se manter no cargo ou melhorar sua posição no trabalho, além de cuidar da casa, marido e filhos, fazer as compras, pagar contas e ainda lidar com a cobrança por estar sempre bonita, bem arrumada, maquiada, perfumada, precisar cuidar do corpo, cabelos e assim por diante.

Particularmente, digo que isso tudo é impossível de ser alcançado, sobrecarregando e frustrando a maioria das mulheres, devido a toda essa cobrança exagerada, acredito ser um dos maiores fatores geradores da depressão atualmente. 

Além do humor deprimido (ou maníaco), a manifestação de determinados fenômenos tais como alterações no sono, alterações no apetite, agitação ou retardo psicomotor, fadiga, culpa excessiva, pensamentos de morte, ideação suicida, tentativa de suicido etc., definem o quadro nas suas subdivisões em Transtornos Depressivos, Transtornos Bipolares outros Transtornos do Humor. 


Em revisão feita sobre aspectos anatômicos na depressão, foi relatado alterações na substância branca subcortical, especialmente na área periventricular, gânglios da base e tálamo. Mais comuns no transtorno bipolar I e entre idosos, essas alterações parecem refletir efeitos neurodegenerativos deletérios de episódios recorrentes de humor. Alargamento ventricular, atrofia cortical e acentuação dos sulcos também foram descritos em pacientes com transtorno do humor comparativamente com controles. Haveria, ainda, redução do fluxo sanguíneo e do metabolismo em tratos dopaminérgicos do sistema mesocrática e mesolímbico na depressão. Existem evidências de que os antidepressivos normalizam parcialmente algumas dessas alterações.


Podemos perceber a partir da citação acima que, a depressão não consiste meramente em algo emocional como o senso comum costuma julgar, mas sim uma doença. Nesta, parece haver uma redução global do metabolismo cerebral anterior e um aumento do metabolismo de glicose em várias regiões límbicas, com ênfase na amígdala (aqui me refiro à amigdala cerebral). A melhor evidência desta anormalidade vem de estudos de pacientes com depressões relativamente graves e recorrentes de um histórico familiar de transtorno do humor. Durante os episódios de depressão, o aumento do metabolismo de glicose estaria relacionado com ruminações intrusivas.

Este hiper metabolismo amigdaliano serviria como um amplificador emocional que ajuda a distorcer os sinais de estressores relativamente menores em pessoas vulneráveis.

Segundo Thase, esta alteração seria reversível com farmacoterapia eficaz.  

Em alguns casos de depressão pode haver fatores genéticos e hereditários, que podem ser provocados por uma disfunção bioquímica do cérebro, tendo como principal tratamento a farmacoterapia, associada à psicoterapia, além da atividade física ser um recurso importante no auxílio para reverter quadros de depressão. Porém, nem todas as pessoas com predisposição genética reagem do mesmo modo diante de fatores que funcionam como gatilho para as crises, como os acontecimentos traumáticos na infância, o estresse físico e psicológico, algumas doenças sistêmicas como hipotireoidismo, consumo de drogas lícitas e ilícitas e certos tipos de medicamentos. 



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

 

FRESCHI, Larissa; LEITE, Ricardo S.; MASTROROCCO, Diogo Antônio M.; OLIVEIRA, Elizabeth S.; RUFINO, Sueli; VENTURELLI, Vanessa K. Aspectos gerais, sintomas e diagnóstico da depressão, Revista Saúde em Foco (online), ed. 10, 2018, p. 837-843. Disponível em: <https://portal.unisepe.com.br/unifia/wp-content/uploads/sites/10001/2018/11/095_ASPECTOS-GERAIS-SINTOMAS-E-DIAGN%C3%93STICO-DA-DEPRESS%C3%83O.pdf>. Acesso em 17 de julho de 2023. 

 

RODRIGUES, Maria Josefina S. F. O diagnóstico da Depressão, Scielo Brasil (online), 2000. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0103-65642000000100010>. Acesso em: 17 de julho de 2023. 

 

ENGELHARDT, Eliasz; LAKS, Jerson. Aspectos neuropsicológicos da depressão, Scielo Brasil (online), 2005, Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0101-81082004000200010>. Acesso em: 17 de julho de 2023. 

 

THASE, M.E. Mood disorders: neurobiology. In: SADOCK B.J.; SADOCK V.P. (editors), Kaplan & Sadock's comprehensive textbook of psychiatry. ed. 7, Philadelphia: Williams & Wilking: 1999, p. 1285-98. In:  ENGELHARDT, Eliasz; LAKS, Jerson. Aspectos neuropsicológicos da depressão, Scielo Brasil (online), 2005, Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0101-81082004000200010>. Acesso em: 17 de julho de 2023. 

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